terça-feira, 29 de maio de 2012

Completamente


Ele chegou, sem ao menos bater na porta, como o sol que invade minha mente monocromática e esquenta minha alma, dando vida ao que há muito parecia tão impossível, tão frio e intocado. Chegou fazendo alarde, num momento raro de cores e independência, como quem fazia festa pra si mesmo - me convidou para entrar, sem saber que eu adoraria ficar, permanecer ali, no seu abraço e toda paz que ele trouxe ao meu mundo. Abriu as portas e janelas de mim mesma, fez do meu coração um mundo onde morar, me deu certezas que eu jamais esperaria confessar. Me jogou contra a parede, sem deixar chances para que pensamentos me invadissem e me fizessem fugir do que explodia dentro do peito. Já não era o toque de sua pele bronzeada, quente, em minha tão branca e gelada, mas sim um pedido de que não fosse apenas um sonho, um pedido constante de que seja pra sempre.

Me joguei de peito aberto, sem saber da surpresa que a vida tinha me preparado. Me joguei sem saber que seria sua por inteiro, sem saber que ele me faria sorrir todos os dias... mesmo naqueles em que a saudade me machucasse tanto. Sem fazer a menor ideia do quanto estar ao seu lado faria minha vida mais completa, descobrindo a cada dia que isso se chama AMOR e é tão pouco falar a respeito. Tropecei, por me entregar aos meus medos e velhos hábitos que pareciam inocentes, sem esperar ninguém do outro lado pra me ajudar a levantar e me fazer esquecer da dor e dos joelhos esfolados... mas lá estava ele, pronto pra me socorrer, pra acreditar na minha caminhada, pra espantar a dor e me fazer sorrir quando nada mais parecia ter sentido. Me flagrei fazendo planos, sem pretensão ou pressa para que aconteçam, apenas pra saber como seria doce tê-lo a vida inteira ao meu lado, como me sentiria ainda mais completa podendo fazer aquele homem feliz dia após dia.

Encontrei nele o homem da minha vida, coisa que eu sei bem quando ele me olha castanho e fixamente, com aqueles olhos que sorriem, que conversam e traduzem a imensidão dentro de nós... assim, de baixo pra cima, com aquela franja caindo charmosa sobre o rosto e me fazendo correr para os seus braços. De conversas intermináveis e silêncios confortadores, descobri nele aquela fibra moral que me dá coragem para ir além, que eu respeito e admiro por todas as situações em que se impõe incisiva e doce no meu universo antes tão confuso. Com o tempo e a liberdade que nunca nos faltou, reconheci que temos o mais importante em um relacionamento e não precisamos fazer esforço algum pra isso: muita comunicação e respeito, um pela vida e pelos ideais do outro. Me perdi e me encontrei assim dentro de seu abraço, um conforto no qual o tempo poderia parar.

Nas noites em que estamos longe e não posso acordar antes dele, admirando seu sorriso enquanto dorme, a cama parece tão vazia e tão cheia de esperança de tê-lo ali, ao meu lado, pra sempre. De nunca mais precisar ficar tão longe que minhas pernas não possam se entrelaçar nas dele, que eu não possa pousar minha cabeça em seu peito e respirar tranquila, que minhas mãos não possam fazer carinho em quem me faz tão bem, que nossas bocas não possam brindar cada momento. É esse sentimento, que mistura amor, plenitude, paz, respeito, admiração e liberdade, que me faz prometer ser a melhor mulher para estar ao seu lado, que me faz prometer nunca o deixar cair, nunca o machucar, me faz desejar caminhar ao seu lado e fazer tudo o que eu puder para que seja o homem mais feliz e realizado. É por tudo isso, e aquilo tudo que não consigo explicar, que eu o amo, completamente.


Thank You For Loving Me - Bon Jovi

It's hard for me to say the things
I want to say sometimes
There's no one here but you and me
And that broken old street light
Lock the doors
leave the world outside
All I've got to give to you
Are these five words and I

Thank you for loving me
For being my eyes
I couldn't see
For parting my lips
When I couldn't breathe
Thank you for loving me
Thank you for loving me

I never knew I had a dream
Until that dream was you
When I look into your eyes
The sky's a different blue
Cross my heart
I wear no disguise
If I tried, you'd make believe
That you believed my lies

Thank you for loving me
For being my eyes
When I couldn't see
For parting my lips
When I couldn't breathe
Thank you for loving me

You pick me up when I fall down
You ring the bell before they count me out
If I was drowning you would part the sea
And risk your own life to rescue me

Lock the doors
leave the world outside
All I've got to give to you
Are these five words and I

Thank you for loving me
For being my eyes
When I couldn't see
For parting my lips
When I couldn't breathe

Thank you for loving me
When I couldn't fly
Oh, you gave me wings
You parted my lips
When I couldn't breathe
Thank you for loving me
Thank you for loving me
Thank you for loving me
Oh, for loving me.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Tão previsível quanto areia no deserto


Corro no deserto, com toda minha fúria e toda minha esperança, rasgando o peito como se fosse me livrar de uma camisa indesejável, como se me livrasse de algo que me impede os movimentos ou me esconde de mim mesma. As lágrimas escorrem e ficam para trás, evaporando antes de tocar o chão. Afundo meus pés na areia quente e me forço a ir ainda mais rápido, tentando não me sentir apenas mais um peso, que afunda em si mesmo. 

Estendo a mão para o vazio, sem respostas. Finjo que já não sabia que nada me esperava do lado de fora, naquela multidão vazia, tão longe de tudo. As fecho em punhos e tomo impulso, não vou me deixar afundar assim, porque sei que pouco a frente existe um jardim, onde os sonhos podem se tornar reais e o amor traz aquela paz que faz a vida toda valer a pena. 

Olho pra dentro e tento abrir espaço nessa bagunça toda, tento respirar fundo e não chorar ainda mais. Tento descobrir quantas verdades não são apenas grãos que se perdem com o vento, tento descobrir o porque é tão difícil transformar tudo isso numa realidade firme e colorida. Revejo e repenso tudo aquilo que por tanto tempo parecia inofensivo e doce, tudo aquilo que acabou se mostrando nada mais do que armadilhas para mim mesma. 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Coragem

Confesso que dá frio na barriga. Que eu acordo no meio da madrugada e fico revirando debaixo das cobertas, pensando em como vai ser, me planejando mentalmente, lidando comigo mesma. Assumo que muitas vezes pensei que não estava pronta, que não seria capaz, que é muito pra mim. De vez em quando ainda penso, mas trato logo de afastar de mim qualquer negativismo. Não faço a menor ideia de como vou lidar com a saudade dos meus pais, de casa, das minhas coisas, da minha gatinha de estimação. Perdi as contas sobre quais serão minhas novas responsabilidades. Sei de uma única coisa: minha independência vale tudo isso. 

Não estou me jogando a um sonho adolescente, estou tomando uma decisão madura e muito bem pensada, onde eu sei que preciso ser forte, que preciso lutar, que vou vencer. Rio de Janeiro, Niterói, aí vou eu. Além da vontade que já existia, agarrei algumas chances que garantem essa mudança. Me sinto em casa, me sinto leve, além de estar conhecendo pessoas maravilhosas e boas chances pra minha vida acontecer, pra tornar meu sonho real e eu me realizar pessoal e profissionalmente.

Ganhei uma bolsa de estudos pra melhor escola de computação gráfica do país, pra um curso que engloba design gráfico, web, modelagem 3D e pós produção. 3 anos. Sim, agarrei a chance, além de definir que vou prestar vestibular pra Desenho Industrial na UFF e na ESDI - sim, difícil, maaas, caso não dê certo já tenho uma alternativa, um tecnólogo de Design na Estácio de Sá. 

E isso é só o começo. Vou começar ficando na casa de uma tia, mas, assim que conseguir um trabalho estável vou procurar um quarto pra alugar em alguma pensão, apartamento de estudantes, república ou algo do tipo. O plano é com o tempo alugar um apartamento pra mim, mas isso a médio prazo. 

Volto pra casa dos meus pais no sábado, planejar tudo, organizar tudo, pra voltar o quanto antes.

Independência bebê, se você não começa a lutar por ela......não chega a lugar nenhum. 

Coragem e mãos à obra!

Revoluções


Faz um tempo que não escrevo, não por falta do que escrever ou algo do tipo...mas sim por não saber por onde começar. Nos últimos meses minha vida está passando por revoluções atrás de revoluções, boas, muito boas, isso posso dizer com certeza. Tenho me encarado de frente, tenho me analisado constantemente, assim como cada decisão, cada passo, cada pensamento, sentimento, palavra, cada cor dentro do meu universo particular. Tenho me permitido, sim, a tudo de bom, a fazer tudo aquilo que nunca tive coragem, a sentir por inteiro e viver por inteiro

É um turbilhão de coisas acontecendo dentro e fora de mim...confesso que nem sempre é fácil olhar e aceitar, mas tudo fica cada vez mais claro e forte, possibilitando novas realidades maravilhosas. É como se eu tivesse me tirado do fundo daquela gaveta esquecida, tivesse tirado o pó e colocado em cima de um pedestal - olha ali, meus sonhos, meus objetivos e minha vida em primeiro plano, alto e brilhante. Parece tão majestoso, e é. Aproveitei a deixa e joguei fora tudo aquilo que não prestava mais: uma coleção infindável de pequenas caixinhas com pesadelos e medos, rascunhos e mais rascunhos internos, pessoas que não me levavam a lugar algum e permaneciam elas mesmas estagnadas, armaduras enferrujadas pela mágoa e pela insegurança. Gritei CHEGA, sem volta. 

Agora sim o sorriso é mais gostoso de sorrir, a simpatia flui sem nenhuma vergonha ou obrigação de existir, a tal "meiguice" que todos sempre elogiaram passa a ser apenas a doçura que reflete meu coração leve - e não mais a insegurança. Tudo é leve, é inteiro. Palavras, pensamentos, sentimentos, gestos, cada passo, cada ação, cada reação e cada certeza. A criatividade volta, a mil, cheia de novas cores, cheia de novos traços, com o sol brilhando cada vez mais forte. Sol, sim, vida, chega de revolta. Basta acreditar, basta sorrir pra vida que ela te sorri de volta. Como eu sei? Bastou tentar, acreditar, ter força e fazer acontecer. 

Comecei a me cuidar, externa e internamente. Emagreci um bocado, passei a me vestir melhor, comecei a usar novas cores (não comente o preto de sempre), decidi encarar minhas novas possibilidades e me permiti planejar, sonhar alto, me jogar de peito aberto. Aprendi a me abrir pra novas realidades, deixar a vida trazer seus presentes até mim, conheci novas pessoas e mantive aquelas que vêm me fazendo bem (e permitindo que eu faça bem a elas) durante longo tempo. Descobri o que é o amor, livre de amarras, e a paz que ele pode trazer às nossas vidas. Simples assim, deixei a vida acontecer

Agarrei as oportunidades com unhas e dentes, respirei fundo, tomei fôlego, tomei coragem, cansei de perder tempo. Decidi me mudar pra uma nova cidade, batalhar por mim mesma, estudar de vez o que eu quero e fazer meus sonhos acontecerem. Criar minha independência, de vida, financeira, emocional, psicológica, abrir os braços e sentir minha estrela pulsar. 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Patience


Acordo menos ansiosa, depois de um sonho bom e de acordar sentindo o cheiro de quem me faz tanta falta. 


Controlo minha curiosidade, minha expectativa de o tempo passar logo... porque sei que coisas maravilhosas estão para acontecer, não adianta querer apressar nada, o que é do meu caminho não vai mudar simplesmente porque as horas parecem se arrastar. Sei que o que tanto espero vai acontecer, amanhã ou depois.

there's no doubt in my mind


Quando descobre que você deseja determinada pessoa todos os dias, pra hoje, pra amanhã, pro próximo ano, pra próxima década, pra toda sua vida. Quando alguém faz tudo ter sentido e te enxerga por completo, te respeita até mesmo com seus defeitos e lembranças que você quer esquecer. Quando você descobre que até os caminhos mais tortos te levaram ao amor mais bonito, que te faz feliz todos os dias e não tem medo dos obstáculos que se impõem.  Quando você sente que é capaz de tudo pra lutar por aquela pessoa, pra ter sempre aquele sorriso e aquele calor, pra fazer a vida mais bonita.


KISS - FOREVER (tradução)

Eu queria te contar o que estou sentindo
Eu poderia mentir para mim mesmo, mas é verdade.
Não há dúvidas quando olho nos seus olhos
(...) estou com a cabeça em você


Eu vivi tanto tempo acreditando que todo amor é cego
Mas tudo em você
Está me dizendo que agora é...


Pra sempre, agora eu sei
E não tenho dúvidas em minha mente
Pra sempre, até que minha vida termine
(..) eu te amarei pra sempre


Eu ouço o eco da promessa que eu fiz
"Quando você é forte, pode seguir sozinho"
Mas estas palavras soam distante quando olho pra você
Não, eu não quero seguir sozinho.


Nunca pensei que colocaria meu coração na linha
Mas tudo em você
Está me dizendo que agora


Pra sempre, agora eu sei
E não tenho dúvidas em minha mente
Pra sempre, até que minha vida termine
Menina, eu te amarei pra sempre


Yeah!!


Eu vejo meu futuro quando olho em seus olhos
O seu amor faz meu coração viver
Porque eu vivi minha vida acreditando que todo amor é cego
Mas tudo em você, está me dizendo que agora é...


Pra sempre, agora eu sei
E não tenho dúvidas em minha mente
Pra sempre, até que minha vida termine
(...) eu te amarei pra sempre

sábado, 10 de março de 2012

Roteiro



De repente vejo o mundo e a vida tão maiores do que antes. Me vejo com mais força, mais determinação, mais capacidade para realizar aquilo tudo que sempre tive medo e não quis admitir. Faço planos, coloco em prática o necessário para tornar esses "objetivos reais" e chegar lá com um sorriso no rosto. 

Já não tenho medo do tempo que passa, é ele quem me dá as ferramentas pra chegar onde eu quero. É ele que me prepara pro que tiver que vir, pro que for acontecer, pro que eu preciso e quero. Agora sei que quem escreve o roteiro da minha vida sou eu, ninguém mais vai vivê-la por mim - talvez alguém esteja disposto a viver a sua ao lado da minha, mas respeitando tanto a minha direção com eu respeito a sua. 

Olho no espelho e digo pra mim mesma: "Vou fazer 22 anos". Em poucos dias. Mas me sinto como se tivesse 17, como se esses últimos seis anos tivessem sido apenas um ensaio. Chegou a hora de colocar o pé na estrada, guiar sozinha, começar. Eu tenho mais de 20 anos e tanto pra fazer, tanto pra viver, tanto pra amar. Chega de amarras, vou ali ser feliz e não volto.

Ourinhos


Deitada no quarto que agora é meu, o mesmo em que minha mãe e minha tia cresceram, tiro os olhos do livro e e percebo o ambiente tão cheio de mim mesma, tão cheio de histórias, de raízes, de vida. Nunca tive raízes em lugar algum, mas sempre soube que aqui era um lugar pra onde voltar - por mais que eu nunca tenha morado em Ourinhos. A cidade da minha família, a casa que foi dos meus avós. Meu canto.

Ouço o barulho do trem passando ao longe, rio sozinha, percebendo a sinceridade desse lugar e o quanto me sinto um bicho urbano. Moro no centro e ainda assim o ar de interior me invade, com todas suas tradições e simplicidade. O comércio é bem desenvolvido, há faculdades e cursos, o que fazer à noite, prédios (não muitos) e um bom mercado de trabalho. Ainda assim, há aquelas senhorinhas que passeiam toda tarde com a "sombrinha" e te cumprimentam sem ao menos saber quem você é; tem aquele velhinho que passa vendendo pão caseiro na porta de casa, e o outro que traz o queijo fresquinho da fazenda; há o trem passando (repito isso porque sempre me divirto ao ouvir, tão baixo e longe); a maioria da população tem aquele sotaque caipira assumido; chego a pé a todos os lugares que preciso; as fazendas e plantações se estendem a perder de vista e tornam a vida abençoada por toda essa prosperidade. 

Vou pra estrada, pra alguma cidade vizinha, me perco no horizonte de verdes e terra vermelha, roxa e naturalidades dessas planícies de cá. O céu parece tão perto que poderia morder as nuvens, cheio de cores harmonizadas com o azul único, daqueles que não consigo dar nome. Azul sublime? Azul sonho? Azul verdade? Azul, da cor da leveza da minha alma. Chega a noite e vejo esse mesmo céu se transformar num tapete de estrelas, sem fim, me cobrindo de seus segredos e da segurança de ver a estrela da minha avó cuidando de nós, ao lado da minha Mãe Lua. Nunca vi noite tão linda. 

Sei que tenho chão aqui, percebo isso com o a mesma felicidade que sinto o cheiro do café da minha mãe e vejo seu sorriso quando algum parente chega. Com o mesmo orgulho que vejo minhas primas com seus filhos. Com a mesma certeza de um porto seguro. Com a mesma emoção que vejo meu pai encontrando um lugar pra chamar de seu, pra adotar como sua cidade. Sei que tenho chão, sei que tenho colo, sei que agora meus pais tem a felicidade e a companhia que eu precisava ver para poder trilhar meu caminho, porque chão é diferente de raízes. Essas eu ainda não tenho. 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Meu gato e uma vida, eterno em mim.


Ganhei o Tico, um gato lindo da raça Sagrado da Birmânia, poucos dias antes do meu aniversário de 10 anos. Passei num pet shop no bairro de pinheiros, onde morava, para ver ração para a gatinha da minha mãe, a Lilica, uma siamesa que ficou velhinha e sumiu há uns 8 anos. Lá estava ele, que segundo a funcionária do pet shop era "ela", na vitrine. Me apaixonei, e ele também. Peguei no colo e não queria largar, mas meu pai não me deixou levar o filhote. Dois dias depois voltamos lá, ele não quis mais comer depois que fomos embora no primeiro dia. A moça me deu o gato, que até então era gata. Dei o nome de Mel. Fomos pra casa, todo mundo adorou. Alguns dias passaram e percebemos que era um macho, demos o nome de Tico. Eu era grudada com ele, que sempre foi super brincalhão. 

Não demorou muito para ele e a Lilica terem a primeira ninhada, e a segunda, e a terceira. Resolvemos castrar o bichano, que ficou ainda mais manso, carinhoso e engordou. Até três anos atrás, ele dormia comigo, entre minhas pernas, tinha um barrigão branco lindo e ainda fazia festa correndo pela casa sozinho ou com os outros gatos. Desde pequeno ele gosta de deitar no peito do meu pai, quase no ombro, e ficar fazendo graça até o grandão cansar. Ele era a diversão da casa com as visitas, o chamego nos dias frios, tarado por bolinhas de maços de cigarro,  meu consolo nas fases de rebeldia e depressão, o gato de quem eu falo com maior orgulho. Tudo podia acontecer, desde que soubéssemos que ele estava seguro. Todas minhas amigas de infância e até agora adoram o Tico. Ele tem olhos azuis como o céu de domingo, agora mais claros e perdidos, mas tão lindos quanto antes. 

Há pouco mais de dois anos, quando fui morar com um namorado, levei uma gatinha nova pra casa dos meus pais, a Marmota, minha vira-lata mais linda e que se tornou meu bebê quando voltei pra casa. Enfim, quando me mudei o Tico sentiu, ficou algum tempo chateado comigo... Quando eu ia visitar meus pais ele fugia de mim, não me deixava fazer carinho, claramente magoado. eu estava tão envolta em outros problemas que não dei atenção suficiente a isso. Ele dormia no meu antigo quarto, me esperando. 

Quando voltei pra casa, o Tico voltou a ser um dengo comigo. Mas ele já estava velhinho, mais magro, sempre passando mal e brigando com a Marmota. Dormia algumas vezes no meu quarto, vinha no colo no sofá... mas não corria mais pela casa nem fazia tanta graça. Continua sendo meu príncipe, o gato mais lindo que já vi, o dono da casa. 

Agora ele está na minha cama, dormindo. Magrinho, muito magro - ele já não consegue se alimentar direito, mesmo com ração especial, e nada para no seu estômago. Nunca pensei que isso fosse capaz de acontecer com gatos, mas ele está "gagá". Maluquinho, memória fraca, rabugento, com manias de velho. Ele ainda aparece na minha cama de madrugada, fica um pouquinho pra dizer que veio. É, doze anos se passaram meu filhote. Olho pra ele com ternura, seguro sua patinha e me dá um medo terrível de perdê-lo.

Lágrimas correm pelo meu rosto, o Tico sempre foi meu companheiro e agora vejo nós dois, ele tão fraquinho e eu prestes a fazer 22 anos. Uma vida pra começar, definitivamente. E por tudo que passei, la estava ele, nas minhas pernas, dormindo, ou fazendo graça com seu barrigão de pelúcia pra cima. Não imagino minha casa sem ele, minha vida sem ele, minha família sem ele, mas tenho que admitir pra mim mesma que ele não tem lá tanto tempo. 

Sem dúvida, se algo acontecer, sei que tive um gato maravilhoso, um amigo fiel que me perdoou mesmo quando o abandonei, um irmão que dividia as atenções da casa comigo, um companheiro das mais importantes mudanças da minha vida, um anjo que colocava sorrisos no meu rosto quando eu enxugava as lágrimas no travesseiro, um amor incondicional, uma alma linda que tive o prazer e a honra de conviver. 

Amo esse gato como um igual, como parte de mim mesma, eternamente.

Cores.



Não é segredo pra ninguém que minha viagem ao Rio de Janeiro foi muito mais do que apenas férias, foi o início de uma nova história, de uma atitude que está para ser tomada há tempos, uma revolução dentro de mim mesma. Curti meus tios, a amizade e cumplicidade com minha prima, curti meus dias, minha vida como uma garota de 21 anos que sou, me distanciei dos problemas que tinha para resolver e pude encara-los de frente, organizei meus pensamentos, descobri muito mais sobre mim mesma, coloquei pontos finais e abri novos parágrafos, quem sabe capítulos. 

Não é como a aventura da Alice do outro lado do espelho, voltando pra casa sem saber se tudo foi apenas ilusão ou aparência. Foi como uma expansão de consciência, uma expansão do conhecimento sobre mim mesma e minha essência, sobre os meus desejos, objetivos e tudo o que pode contribuir (ou não) para torná-los reais. Tive a segurança que precisava e a mão certa para me segurar enquanto eu deixava a leveza de espírito guiar minhas ações, sem nenhuma amarra, sem dor, sem medos. Olhei as cores dentro de mim e percebi que minha obra pode ser muito maior do que esperava. 

Aconteceu muito mais do que eu esperava. Da viagem que ia durar uma semana, rolou um mês inteiro e um objetivo de voltar, de criar raízes. Sem dúvida eu e minha prima levamos nossa cumplicidade ao extremo, tivemos festas e noites inesquecíveis, nos apoiamos em nossas decisões e nossas verdades. Conheci pessoas incríveis, provei meus limites, fiz promessas a mim mesma, me soltei no tempo e no espaço, conheci alguém maravilhoso e não tenho medo de contar isso. Nem me arrependo de nenhuma das coisas que fiz e que me fazem sorrir. 

De repente o mundo parece muito maior, a vida muito mais interessante. É assim que eu gosto, de me jogar e fazer acontecer. Cansei de vidas em preto e branco.

Do nosso sorriso.



Os dias passam e o sorriso continua, ali, brilhante, quase como um presente. Que não promete mas tem em si a sensualidade, a entrega e o pedido imortalizado de ter aquele homem por inteiro, que sorri o mesmo brilho. É um sorriso que eu não conheço, não controlo, que se perde em cenas e palavras. Uma expressão que denuncia tudo aquilo de que tentei fugir, tudo aquilo que tentei frear, que não quis admitir para mim mesma. Uma resposta ao que parece brincadeira dos Deuses, que rezo para que não termine. 

Vejo o mesmo sorriso no rosto do meu desejo, iluminando minha madrugada e rompendo a fumaça. Ele se fecha em um beijo, mordidas, no silêncio de quem olha lá na frente e sabe o que quer. Com os lábios nos dele, encolhida em seus braços, minha paz começa a ter nome. 

O melhor problema.



Dizem que as melhores cosias acontecem justamente quando não se está preparado, quando não se espera nada, quando não se tem hora pra chegar. E eu estava assim, sem esperar por nada, no fim e no início de tanta coisa, quase anônima, quase nova. Resolvi vestir o meu melhor sorriso até então e me jogar no escuro - lugares novos, pessoas até então desconhecidas, um som que não costumo ouvir, sem allstar e com a bolsa pequena. Não estou acostumada a levar pouca coisa, pra onde seja, me mantenho armada e munida. De alma também. 

Então, depois de conversas ao acaso, do riso solto, meu olhar tímido fugindo do óbvio, o inesperado me puxa pela mão e me joga na parede. Contra a parede fria me perco em meus sentidos, descobrindo que aquele beijo se encaixa com o meu de uma forma incrivelmente doce, incrivelmente quente, como se já fizesse parte de mim. Os cheiros se misturam, bagunçam minha mente já desarmada pela tequila, a noite passa. Num quarto desconhecido, sem pudores, sem segredos, sendo apenas um no que termina num abraço apertado, na respiração de quem se conhece tanto sem ao menos dizer nada. 

Fico ali, deitada no abraço dele, pelo que poderia ser uma eternidade. Ouço repetidas vezes a voz dele. 

- Você é um problema na minha vida. Nós dois juntos somos um problemão. 

Eu sabia do que ele estava falando, do quanto não se pode fugir quando se sente algo tão intenso. Do quanto ele não esperava sentir tudo aquilo. De como é raro encontrar alguém que se parecesse tanto com você mesmo apesar das infinitas diferenças, te desarmando, quebrando suas resistências, te fazendo querer viver num abraço. Do quanto ele não queria que acabasse, que nenhum dos dois fosse embora aquela manhã. 

Eu sei, sei o quanto eu me senti assim. Sei o quanto eu não queria ter saído dali, de como fiquei ao acordar e relembrar cada cena, atender o celular e escutar sua voz. Sei do sorriso que não consigo parar de sorrir, daqueles imensos, daqueles que transformam um dia, uma vida. Esse é o problema, tudo aquilo que não se sabe dizer quando a felicidade bate a porta. Ou melhor, quem sabe seja a solução.. 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Começos.

De derente me vejo em duas novas realidades, ao mesmo tempo. Mudo minha vida sem ao menos perceber e me dou conta de que tudo tem o tempo certo para acontecer e permanecer em nossas vidas, mas é preciso se empenhar para que não se trate apenas de começos, e sim de verdades sem fim.

Tenho vontade de mudar tudo de uma única vez, e penso que é possível. Vontade de quebrar as barreiras, me livrar das minhas auto-sabotagens, fazer acontecer. Diferente de antes, sei que é preciso ir com calma, arquitetar tudo isso e provar que é possível. Pena que ninguém me contou que ter maturidade é também saber esperar.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A broken heart can't be that bad


Levanto a cabeça, porque sei que, mesmo quando todas as esperanças se escondem, a vida ainda é capaz de preparar as mais doces surpresas.

Pesadelo.


Acordo de um pesadelo, no meio da madrugada, chorando, tremendo e completamente tensa. Depois de muito tempo sem aparecer para atormentar minha mente, a imagem, daquele que já causou tanta dor, volta. Depois de três noites seguidas tentando me livrar dessas lembranças e da sua presença indesejável em minha noite, me sinto esgotada de lutar com tamanha dor, com tamanho medo de que ele resolva brincar com minha dor novamente. 

Ele me seguia, por todos os lugares, com os olhos vermelhos, com os cabelos dourados e compridos faiscando como o fogo,  com a risada sarcástica que eu tento esquecer. Eu me sentia sozinha, procurando em vão todos os que amo, todos os que podem me transmitir segurança. Casas vazias, telefonemas sem resposta, medo. As portas trancadas atrás de mim pareciam não resolver, meus gritos não saiam e me sufocavam, como se milhares de punhais se agitassem dentro de meu peito. 

Pra quê isso agora? Pra quê brincar com minhas frustrações agora? Pra quê me lembrar de tudo que quero esquecer e de todos os meus medos, justo agora? Agora que começo a tomar as rédeas da minha vida, que decido qual caminho e como seguir, que me sinto verdadeiramente feliz, que tenho outra chance de me apaixonar e fazer alguém feliz de verdade? Por quê agora? 

Matei-o em minha vida, tentando obstruir qualquer caminho que pudesse o levar até mim, apagando todas as pistas de quem eu fui enquanto ele dominou minha vida e fez com que eu me esquecesse da minha força e do meu brilho. Escondi todas as perdas a que ele me levou. Sofri, me perdi e me reencontrei, levei muito tempo encarando o meu "luto" pessoal até conseguir subir à superfície novamente para respirar, e ver o sol brilhando acima de mim.

Mas agora, que o sorriso se instalou no meu rosto, ele volta. Não só em sonhos, mas na tentativa de me encontrar, de invadir minha vida. Por quê? Pra me lembrar do meu medo de me entregar novamente, de me apaixonar novamente, de vencer a mim mesma? Brincar com meus medos? Pra tentar novamente me convencer de que estou fazendo tudo errado, só pra ter o controle? Me jogar lá embaixo pra me mostrar que eu nunca vou me livrar desse terror e cumprir suas ameaças? Se eu não me conhecesse o suficiente para ler os meus sonhos, interpretá-los e saber do verdadeiro significado e influência sobre a vida real, seria apenas acordar e esquecer. Não, não, dessa vez ele não vai conseguir me atormentar. 

Dessa vez sou eu quem lidera esse jogo, quem lidera minha própria vida, quem decide por qual caminho correr. E decido me livrar do que restou, fazer com que essas memórias sejam apenas lampejos de um passado que superei. Não importa como, agora vou lutar com todas as minhas armas. Chega!


"Memórias
Não são só memórias
São fantasmas que me sopram aos ouvidos
Coisas que eu 
Nem quero saber"


domingo, 13 de novembro de 2011

Domingo.

Preciso de domingos tradicionais. De acordar tarde, tomar o café em família, falando sobre assuntos cotidianos, falando sobre nós como pessoas, nossos planos, rindo sinceramente. Tomar um banho demorado, ouvindo um belo Rock and Roll, não ter pressa para me arrumar, colocar uma roupa leve que combine com meu astral e mostre um pouco da descontração que procuro ter. 

Fazer uma massa gostosa, um molho elaborado, tomar um bom vinho e fazer planos para o final do ano. Dormir depois do almoço e acordar para dar uma volta na cidade, por mais que não haja absolutamente nada pra fazer. Encontrar com alguém que me faça sentir bem, tomar um chopp gelado e esvaziar a mente sobre a semana que está prestes a começar. Alugar um filme, assistir comendo pipoca, ir dormir tarde.

Não falar de trabalho, não brigar por causa de trabalho, por causa da rotina, não ouvir cobranças e alfinetadas planejadas. Um domingo de família, de amor, de tranquilidade. Não é pedir muito. É?

Abrir a porta para não voltar.


Eu sinto vontade de abrir a porta de sair correndo, mais rápido do que a raiva corre pelas minhas veias. Correr sem destino nessa chuva gelada, só pra saber se o choque é capaz de me acordar para outra realidade, não esta da qual tento fugir há anos e por mais que eu lute, que eu me esforce, volto sempre ao ponto de partida. Deixar os trovões se confundirem com os gritos do meu coração em pane, fazendo minha mente se fundir com a força de minha Grande Mãe, pedindo respostas, respostas que não consigo encontrar sozinha. Pedindo coragem para tomar a atitude que sempre tive medo, não por mim, mas por quem não teve medo de me privar de mim mesma. 

Ir com pressa para lugar nenhum, sem deixar endereço, sem atender ao telefone, apenas para me jogar de joelhos na grama molhada e chorar tudo o que tenho guardado aqui dentro - me esforçando para vencer, para provar que sim, eu sou cada vez mais capaz de vencer a mim mesma. Não lágrimas de mágoa, mas de dor, de frustração, por querer sempre mais de quem não consegue ver o quanto suplico por um espaço de tempo, por um espaço meu, um espaço para pensar e respirar sem toda essa tensão. 

Vontade de não voltar, de decidir apenas por mim mesma, de levar em conta o que EU realmente preciso e qual é a minha verdadeira vontade. Chegar a algum lugar onde eu possa me dedicar a mim mesma, sem ter que mudar de ideia ou adiar planos para não magoar quem não se importa mais quantas vezes eu possa ter me ferido - ao invés de ter gritado, de ter batido o pé, de ter imposto a minha vontade. Sem ter que assumir o que não é meu, mas que faço de coração sem me importar até onde isto me priva de viver. Onde eu não tenha que recomeçar, apenas continuar com os meus planos, com a minha vida. MINHA vida, é tudo o que quero pra mim. 

A dor explode dentro de mim mesma, sufoca meu coração, sem que eu possa fazer nada a respeito. Será que estou pronta para sair correndo? Ou apenas para enfiar a cabeça no travesseiro e colocar a raiva numa gaveta abarrotada de atitudes que tenho deixado de tomar?

sábado, 12 de novembro de 2011

Estantes.


Sozinha no meu quarto, numa noite de planos incompletos, olho à minha volta e me surpreendo com meus livros - que sempre estiveram ali, por todos os cantos, em todas as horas de insônia e de paixão afundada em páginas. Gosto deles assim, à vista, separados por interesses, ao alcance da imaginação. São como memórias organizadas em estantes, momentos e transformações estocadas, bastando apenas um olhar para que me recorde do quando aquelas páginas acrescentaram em minha vida, mudaram meus pontos de vista, me lembram alguém ou mesmo quem eu sou. 

A cada título lido numa rápida passada de olhos, um filme se desenrola em minha mente. Quem eu era e como era ao abrir determinado livro e ao fechar o mesmo, o que aconteceu na minha vida enquanto minha ansiedade devorava suas páginas, os locais onde o abri e para quem já falei sobre sua história, o quando uma simples frase ou um personagem teve o poder de transformar minha vida pessoal, quanto incorporei de sua essência e utilizo até hoje, o porque o procurei, o lugar que o coloquei no meu universo particular. Entre tantas outras coisas. 

Dizem que nossa estante preferida é capaz de traduzir nossa alma. Não tenho dúvidas, olho novamente e tenho certeza que justamente essa é capaz de me denunciar, de me entregar até mesmo nos mínimos detalhes. Me conforta pensar em mim como um monte de páginas e incontáveis papeis em branco, pronto para serem escritos, ilustrados, encadernados e se tornarem mais páginas viradas.

Mergulho em mim mesma assim, olhando para meus livros, meus pequenos pedaços de memória.

"Mas os livros que em nossa vida entraram 
São como a radiação de um corpo negro 
Apontando pra a expansão do Universo 
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso 
(E, sem dúvida, sobretudo o verso) 
É o que pode lançar mundos no mundo."

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Longa viagem.


No fim das contas, adoro ser assim, sem raízes no chão, sem limites, sem amarras. Gosto disso, de apostar em mim mesma, de acreditar nos meus sonhos, de ir com fé, de ir com a cara e a coragem. Não apenas me acostumei às estradas, como descobri que meu coração é uma longa viagem, daquelas onde você perde seu olhar no horizonte, esquece do tempo ao observar quantos tons de verde a mata pode ter, começa a decorar os sotaques do caminho, começa a se acostumar às novidades...E à saudade. 

Me prendo apenas aos meus conceitos, às minhas verdades, a tudo aquilo que guardo no peito e levo para onde for, sabendo que o céu permanece o mesmo sobre minha cabeça. Como diz a música da minha vida, "os Deuses sabem que a estrada é uma farra, e depois, o trovão não assusta, alguém com essa cara de ser o tipo de cigarra que canta na chuva". Cada vida é tão curta, que quero descobrir todos os gostos, todas as oportunidades, todos os aromas e amores, sem olhar o relógio. 

Sorrio sem medo, porque tenho a certeza de um dia após o outro, a certeza de que vou fazer o melhor pelo hoje, por mim, por quem eu gosto e pelo que eu gosto. Não importa onde eu esteja, porque sei que as fronteiras não são minhas inimigas, faço de mim o melhor que espero ser. Meu sangue cigano se aflora, minha mente dança na escuridão, as chamas aquecem meus sonhos além das brumas, de onde venho e para onde volto. Luto, por mim, sem beiras. 


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Minha verdade.

Sou Bruxa.

Meu lar é o mundo todo;
Onde houver montanhas, lagos, mares e matas é lá o meu lar.
Pertenço ao mundo, por isso não suporto amarras, se quiseres me prender ou me amordaçar perderás teu tempo, pois eu voarei pela primeira fresta de luz que encontrar.
Preciso de ar, verde, azul, lilás, rosa e vermelho, preciso pular corda no arco irís.
Mel, amoras frescas, maças rubras, ativam meu desejo fértil e fecundo.
O cheiro de mata molhada e o cantar das águias aguçam meus sentidos para a Natureza.
Gosto de cabelos soltos, do vento batendo em meu rosto.
Sou raiz sem perder a liberdade, ando descalça para sentir a Terra, e sobre ela rodopio minha dança de braços abertos e movimentos de corpo de entrega ao Universo.
Tomo banho de lua e chuva nua, e sinto pulsar além da matéria o meu espírito de Deusa,
Acredito em destino, por isso posso escolher, não sou escolhida.
Falo pouco com os lábios, só me entenderá que desvendar o que dizem meus olhos.
Recolho-me em meu castelo para sonhar, o que não ouso contar a ninguém, pois tenho segredos somente por mim conhecidos. Me abro para o mundo sem deixar que ele me invada.
Sigo meus instintos, e terra, ar, fogo, água e éter segredam-me sua alquimia.
Sou de antes, sou agora e serei sempre.
Sou flores e firo com meus espinhos quem tentar me reter em seus domínios. Amo simplicidade e odeio vulgaridades.
Não acredito em Satã, ele é invencionice de que tentou me aprisionar.
Eu decido como e com quem quero estar, sem me violar.
Sou Mulher, Sou Sagrada, Sou Bruxa.

(Regina Braga)